Com a irreverência do Glauco, sem ela*

Não era amigo do Glauco, não o conheci pessoalmente. Nem mesmo sou um fã do seu trabalho, embora lhe reconheça o talento, a irreverência e a originalidade. Não que eu não goste do que ele fazia; apenas me identifico mais com o trabalho do Angeli e, principalmente, do Laerte - cito os dois porque, junto com o Glauco, eram um trio indissociável. Mas hoje levei um choque quando o Otávio Dias, do portal do Estadão, ligou em casa às 9 horas para pedir um depoimento. Eu estava sabendo da notícia por ele naquele momento. A tragédia me comoveu menos pelo sentido de classe - que também existe, era um colega - que pelo fator humano. Uma morte estúpida como essa, seja por assalto (como inicialmente se supôs) ou por obra de um louco drogado (como parece ter sido), é sempre chocante e incompreensível. Penso na trajetória interrompida de pai e filho, um com a carreira solidificada, outro ainda no início dela. Penso na família, que assistiu à cena terrível e vai carregar para sempre essa imagem, e nos amigos mais íntimos (Laerte e Angeli, também meus amigos, embora não muito próximos). E no quanto é frágil essa nossa existência (perdoem-me aqui pelo clichê, mas é assim que eu penso nessas horas). O Estadão me pediu um desenho em homenagem ao Glauco, e eu fiz esse que você vê aí em cima. Tem um monte de gente que faria - e alguns fizeram - homenagens a ele com muito mais propriedade do que eu. Mas nem por isso a minha deixa de ser sincera. *O título desta postagem parafraseia a linda canção "Viena fica na 28 de setembro", de João Bosco e Aldir Blanc, do disco "Comissão de frente". Lembrei dela agora, não sei por quê.
Escrito por Baptistão às 22h48
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