De vinho tinto de sangue

Em dezembro de 2008 completou 40 anos o Ato Institucional nº5, de tão triste memória. O AI5, considerado o golpe dentro do golpe, representou o endurecimento total da repressão do Estado. Suprimiu direitos civis e institucionalizou a censura e a tortura. Os efeitos desse ato covarde se estenderam até o final dos anos 1970, quando o general Geisel iniciou a sua abertura “lenta, gradual e segura”. Ele ainda fez amplo uso do AI5, mas o revogou em 1979. Em seguida, o general Figueiredo fez a longa transição do governo militar para o civil, e decretou a Lei da Anistia. Pra lembrar os 40 anos do AI5, o Estadão publicou um caderno especial em dezembro passado, e para ele o editor Carlos Marchi teve uma ideia interessante: em vez de publicar cartuns e charges que foram censurados na época, pediu aos ilustradores do jornal que fizessem, hoje, desenhos que não poderiam ser publicados em 1968. Dos seis ilustradores convidados para a tarefa, quatro não eram nascidos quando o Ato foi decretado (Cido Gonçalves, Diogo Salles, Farrell e Marcos Müller). Eu tinha pouco mais de 2 anos, e o Carlinhos Müller tinha 5 dias de vida. O meu desenho é o que você vê aí em cima. É a minha alusão aos 40 anos desse episódio que envergonha a nossa História.
Escrito por Baptistão às 15h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|