Hoje este blog completa 3 anos.
Eu poderia repetir aqui o que disse nos outros aniversários, sobre o impulso que este espaço me deu, blablabla, etc etc.
Mas vocês podem ir à postagem de 20/12/2006, ou 2005. Está tudo lá.
Apenas gostaria de renovar meu agradecimento a todos os que passam por aqui, com mais ou menos freqüência, e que mantêm este blog no ar.
Muito obrigado.
Conforme prometido, e já com bastante atraso, aqui vão minhas impressões sobre a viagem ao Irã.
Tomei emprestado o texto que escrevi especialmente para o Blog dos Quadrinhos, do sempre gentil Paulo Ramos.
"Já havia sido uma grande surpresa para mim ganhar o primeiro lugar em caricatura na 7th Tehran International Cartoon Biennial em 2005. Foi o primeiro prêmio que ganhei fora do Brasil.
Eu já estava escolhendo o personagem para a caricatura que inscreveria na edição deste ano, quando veio outra grande surpresa. Um telefonema me acordou às 5 da manhã com o convite para ser jurado da 8ª Bienal. Era início de setembro.
Viajar sozinho para o Irã, país de cultura tão diferente e de um idioma indecifrável para mim, que nem sequer o inglês sei falar, era uma aventura que me assustava. Mas o convite era uma honra irrecusável.
A viagem incluiu um vôo de 14 horas e meia até Dubai, uma espera de três horas e outro vôo de uma hora e meia até Teerã.
A recepção na sala VIP do aeroporto já antecipava o tratamento especialíssimo que eu e os outros convidados teríamos na nossa estada.
Fui recebido pelo coordenador da Bienal, Massoud Shojai Tabatabai, grande pessoa e grande cartunista, responsável também pela Iranian
House Cartoon, entidade com sede própria que congrega os cartunistas do Irã.
No dia seguinte à minha chegada, fiz uma palestra, no belo Museu de Arte Contemporânea de Teerã, para jovens interessados em humor gráfico, alguns já com um pé no profissionalismo.
Por duas horas, fiz uma apresentação comentada de desenhos de várias fases da minha vida. Nessa ocasião, contei com a preciosa ajuda da Sra.Marjaneh Najafi, que traduziu minha fala.
Meu principal compromisso aconteceu na tarde do dia 6. Às 14 horas, o espaço que abriga a exposição foi fechado para que iniciássemos o julgamento dos trabalhos selecionados.
Além de mim, mais seis jurados: o romeno Florian-Doru Crihana, o bielorrusso Oleg Goutsol e os iranianos Kambiz Derabakhsh, Javad Alizadeh, Barham Azimi e Touka Neyestani - o convidado chinês, Wu Jianjun, chegaria apenas no dia seguinte.
O sistema de julgamento foi, na minha opinião, funcional e justo. Recebíamos cinco selos, que deveriam ser colados às molduras dos desenhos que escolhêssemos como os melhores de cada categoria.
Os mais votados eram agrupados e, numa segunda votação, escolhíamos dentre eles quais seriam primeiro, segundo e terceiros colocados. A contagem de pontos (1 para o terceiro, 2 para o segundo e 3 para o primeiro) definia os premiados.
Importante destacar que, no momento do julgamento, os nomes e as procedências dos artistas foram cobertos, para evitar que influenciassem na escolha.
A prevalência de iranianos entre os premiados reafirma a ótima qualidade do trabalho dos artistas gráficos nativos. O que contradiz a idéia que muitos leigos fazem do Irã, supostamente um país desprovido de bom humor. Antes pelo contrário.
A cerimônia de anúncio dos premiados, no dia 11, encerrou a nossa participação no evento.
Fiquei encantado com a gentileza e a hospitalidade dos iranianos, com a beleza das cidades e com a estrutura do evento. Nada nos faltou nesses dez dias.
Na minha bagagem de volta, além dos presentes que ganhei, trouxe amizades a serem cultivadas, e uma experiência que não será esquecida.
Trouxe também, principalmente, respeito e admiração enormes pelo povo do Irã em geral, e pelos seus artistas gráficos em particular."