Vitor Sanches, um dos novos amigos virtuais que fiz por meio deste blog, escreveu-me falando sobre jogo de botões.
Como é o assunto desta postagem, reproduzo aqui um trecho da resposta que dei a ele.
"Tenho 40 anos. Minha fase de jogar botão todo dia, o dia inteiro, foi mais ou menos entre 1978 e 1983. Campeonatos e mais campeonatos, às vezes três num só dia, com chaves, tabelas e lista de artilheiros.
Nessa época, não havia computador e outras dessas facilidades. O que eu fazia? Pesquisava as fotos dos jogadores na revista Placar, que eu colecionava, e onde mais pudesse, para desenhá-los para os times de botão. E eu fazia o retratinho bem pequeno, usando uma caneta bem fininha, porque tinha de caber na circunferência do selo dos botões.
O meu Palmeiras era o xodó. Não tinha apenas onze jogadores. Tinha as carinhas do elenco inteiro. 23, 24 botões, que eu, estrategista, podia usar como bem entendesse, nas substituições durante o jogo. Tinha Jorge Mendonça, Jorginho, Luís Pereira, Pedrinho, mas também tinha Darinta e Jaime Boni. O Palmeiras daquela época não era grande coisa, mas meu time de botão era afiado.
E eu desenhava os botões para a turma toda, mas nem sempre com as carinhas, que davam muito trabalho. Como opção, desenhava as costas das camisas dos times, onde aparecia o número.
Era já o final de um tempo saudoso, em que as camisas eram respeitadas, e não tinham essa publicidade horrível que acabou com a estética e a tradição dos uniformes. E estes ainda não eram campo de testes para estilistas de gosto duvidoso.
Tempo saudoso, também, porque eu desenhava um jogador e ele ficava no clube por três, quatro anos ou mais. Hoje, precisaria trocar a cada três meses.
Infelizmente perdi esse time de botão em algum momento que não sei qual foi. Perdi também meu estrelão, que era como a gente chamava o campinho de madeira. E, com eles, perdi a vontade de jogar botão. Nunca mais joguei. Tenho até vontade de voltar a jogar, mas nunca joguei o botão oficial. Usava aquela bolinha chata, e nossa turma tinha regras próprias e muito peculiares.
A vila onde moro tem botonistas de respeito, e lá se disputam campeonatos oficiais. Infelizmente, não daria para eu participar."
Pois é, embora eu tenha perdido meus botões do Palmeiras, não perdi os selos desenhados, o que foi surpresa para mim. Não me lembrava de tê-los guardado.
Satisfaço aqui a curiosidade do Vitor, que, por sinal, me presenteou com um lindo time de botões do Palmeiras de 1959.
E acho que muitos de vocês vão se identificar com essa história de botões.
Devo explicar que o Pelé e o Cruijff são intrusos nesse grupo - infelizmente, eles nunca jogaram no Palmeiras.
São os únicos sobreviventes de um outro time que eu tive: a Seleção do Mundo de Todos os Tempos.